Festival de Cinema de Paranapiacaba 2026
Celebrando o cinema independente do Grande ABC

Em 2025, Paranapiacaba recebeu a primeira edição do Festival de Cinema de Paranapiacaba como um gesto de retorno.
Revisitar o cinema do ABC foi uma forma de fixar uma identidade, desenhar uma linha do tempo capaz de responder quem somos e de onde viemos. Um mergulho nas imagens que formaram essa região, nos modos de fazer cinema que surgiram entre fábricas e bairros operários. Construindo pontes com outras regiões que dialogassem e com elas aprendendo a enxergar um futuro. Um movimento de olhar, compreender e sonhar, na segunda edição, o movimento se desloca.
Firmar os pés no presente e olhar para o que está sendo feito agora. Filmes que nascem fora dos grandes centros, em outros ritmos, em outros territórios. Obras que surgem longe dos centros hegemônicos da produção audiovisual e que, justamente por isso, experimentam linguagem. Não se trata de uma estética fechada. O recorte parte de um começo: primeiras obras, tentativas, riscos. O inacabado talvez seja uma das condições históricas do cinema brasileiro.
Pensar o futuro, aqui, é um exercício radicalmente presente. É perguntar o que sustenta essas imagens. O que as atravessa. O que permite que elas existam. A questão ambiental surge como eixo transversal. Não há futuro cinematográfico sem futuro ambiental. A imagem não existe sem uma paisagem.
Em uma vila que carrega uma cenário colonizado por uma memória industrial, cercado por tecnologias ancestrais e floresta e técnicas que atravessaram gerações. Existe ali uma lógica de permanência que desafia a aceleração e levanta uma pergunta incômoda: o progresso desenfreado é sempre progresso? Por vezes o pé no freio não nos faz caminhar para o futuro?
Longe de começar com a ferrovia, antes da arquitetura inglesa e da vila operária tomada pelo imaginário popular, este território já era atravessado por rotas indígenas. Os caminhos do Peabiru sempre foram passagem, circulação e troca. A paisagem que hoje associamos à memória industrial foi construída sobre outras formas de habitar e compreender a natureza, o tempo. Paranapiacaba compõem todos esses elementos.
Floresta. Caminhos originários. Ferrovia. Vila operária. Patrimônio histórico. E agora, cinema.
É dessa sobreposição de tempos e trocas, progresso e pé no freio, memória e descentralização, que o Festival constrói seu gesto.
Celebrar os 25 anos da Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André, um importante marco que mantém sonhos e gerações de cineastas locais, vivos, nesse contexto, é reafirmar um compromisso com o presente. Se na primeira edição nos dedicamos a olhar para a história do cinema do ABC, agora escolhemos permanecer atentos ao que está surgindo. Porque o futuro, ambiental e cinematográfico começa nas imagens que conseguem sustentar o agora.
Em um cinema que cada vez mais ganha destaque internacional, o olhar para a base é o que fundamentará esse movimento, e o Festival vem como um compromisso de apoiar que novos e grandes cineastas existam, e principalmente, produzam. Assim é possível responder a pergunta chave, o futuro vem do agora.